25.5.02

Essa eu nem tinha me lembrado.. na verdade a palestra "Contando Histórias..." na Unisinos não tinha sido a primeira PALESTRONA que coloquei online. Em 1999 estive em Santa Maria, na UFSM, falando de Possibilidades de Criação e Trabalho Usando Novas Tecnologias em Comunicação.

Veja só. A gente se repente sem nem se dar conta.

ps. já coloquei uma versão em PDF no meu arquivo público.
Convido a todos para conferirem a palestra "Contando Histórias e histórias", que apresentei como aula inaugural da Comunicação da Unisinos. É uma versão comentada e fala das semelhanças e diferenças de contar histórias em ficção e documentário, com base na série "Continente de São Pedro".

É um arquivo PDF (acrobat) com 590K. E está em

http://www.comunica.unisinos.br/_aulamagna/conteudo.htm

Ou direto no arquivo...

http://www.comunica.unisinos.br/_aulamagna/palestra_roberto_tietzmann.pdf


bobagem pura e simples!

> Uma senhora acabava de chegar à cidade e pegou um táxi. O taxista,
> incrivelmente calado, não abriu a boca durante o percurso, até que a senhora
> quis fazer-lhe uma pergunta e tocou no seu ombro. Aterrorizado, o motorista
> gritou, perdeu o controle do carro e por muito pouco não provocou um terrível
> acidente. Com o veículo já sobre a calçada, respirando fundo, a senhora
> virou-se para o taxista:
> – Francamente, não sabia que você se assustaria tanto com um toque no ombro!
> – Não me leve a mal, senhora... É que essa é a minha primeira corrida como
> taxista.
> – E o que o senhor fazia antes?
> – Fui motorista de carro funerário por 25 anos...
É curioso. Ninguém espera ler um livro sobre o Word para começar a escrever. Nem tampouco se espera que o Word escreva por você. Quer dizer, em 1983 as pessoas achavam isso.

Agora, quando chegamos a um programa gráfico ou de edição de vídeo, a coisa muda de figura. As pessoas em geral acham que saber usar o programa equivale a dominar a linguagem dos conteúdos que ele gera. O que não é verdadeiro.

Isso mostra como somos educados ao longo de todo um processo escolar para raciocinar muito mais verbalmente do que visualmente (ou ritmicamente, musicalmente, etc.) o que faz com que as pessoas não se sintam constrangidas em escrever. Não importa o suporte, desde uma folha de papel de pão até um G4 Dual Gigahertz, a escrita é vista para além da ferramenta.

Seja o lápis ou o teclado, você facilmente abstrai isto e centra a atenção na mensagem a ser comunicada ou registrada. Porque o mesmo não acontece com um desenho ou um trecho de vídeo?

Aposto minhas fichas (de momento, pelo menos) que isso tem a ver com o fato de outros sistemas simbólicos serem percebidos como secundários em relação ao verbal/textual. O que faz parte de toda uma construção social e escolar a respeito.

Assim, quando abre-se a porta para tomar contato com softwares capazes de funcionar de maneira fluida não apenas com texto, mas com imagens e sons também, a primeira reação em geral é de atribuir mais "mágica" ao programa do que ao pensamento comunicador, que independe de suporte. Aliás, quando chega nos suportes em geral já passou por um processo de filtragem, de adaptação.

O fato de enxergar mais competência no programa do que em si mesmo como gerador potencial destas mensagens ilustra claramente este potencial mal desenvolvido. Caso contrário, a familiaridade faria ver não o software, mas a mensagem a ser comunicada. Tradicionalmente atribui-se essa "naturalidade" com os outros meios aos artistas ou a profissionais do ramo, afinal é do ofício deles lidar com isto.

Mas um potencial maior de expressão está ao alcance de mais pessoas. Aguardando ser fomentado desde o princípio da consciência.

24.5.02

>> Domingo vou estar rodando um novo curta metragem. Não é nenhuma obra-prima, mas tem a novidade de ser feito em 3-D com a super tecnologia de Marlon Engel. A premiere será no trabalho de conclusão dele. Confira o roteiro!


DOMINGO QUE VEM
por Roberto Tietzmann
Segundo Tratamento


CENA 1 EXT - REDENÇÃO - DIA
CINTIA caminha apressada pelo parque em um domingo movimentado.

CINTIA
Não posso me atrasar!

>> OBS. A cena intercala com a seguinte para dar a idéia da passagem de tempo e espaço. Logo é preciso rodar mais material.


CENA 2 EXT - REDENÇÃO/FLASHBACK - DIA
CINTIA E PAULO estão no parque. Trocam alguns beijos. Pega na mão, abraça, etc. ele cochicha no ouvido dela.

PAULO
Domingo que vem quero te fazer uma surpresa.

CINTIA
Ah, me conta!

PAULO
Não.

CINTIA
Conta!

PAULO
Vem nessa árvore `as duas domingo que vem. Daí tu vai saber.


CENA 3 EXT - REDENÇÃO/DEBAIXO DA ÁRVORE - DIA
CINTIA está debaixo da árvore. Olha o relógio. O relógio blipa. São duas horas. Ela olha em volta. ninguém a vista. Quando é surpreendida por MARIANA.

MARIANA
Cintia!

CINTIA
Mariana. Oooi querida!

MARIANA
E o Paulo? Tá por aí?

CENA 4 EXT - REDENÇÃO/PARANÓIA DE CINTIA - DIA
CINTIA tem um insight paranóico.

CINTIA
Tá querendo me roubar o namorado? Vaca!

E avança pra cima de MARIANA.

CENA 5 EXT - REDENÇÃO/DEBAIXO DA ÁRVORE - DIA
CINTIA com um sorriso amarelo.

CINTIA
Não. A gente marcou, mas...

Toca o telefone de CINTIA. Ela atende, com o olhar curioso de MARIANA. Que cuidadosamente se afasta.

PAULO
Oi amor!

CINTIA
Paulo, onde tu tá?

PAULO
Estou te vendo

A câmera está distante, entre o matinho onde vemos CINTIA com o telefone e olhando em volta.

CINTIA
Onde?

PAULO
Aqui ó. Vem cá!

CENA 6 EXT - REDENÇÃO/MATO - DIA

CINTIA vê um movimento no mato e segue em direção ao mato. O vulto de Paulo sai correndo. CINTIA vai atrás. Temos uma bela cena de avanço por entre os matos, mas PAULO se afasta. CINTIA olha em volta e pára, cansada. Toca o telefone.

CINTIA
Paulo, isso tá perdendo a graça!

PAULO
É mesmo?

CINTIA
É!

PAULO
Então olha nessa árvore do teu lado.

Na árvore ao lado está um pacotinho de presente. CINTIA abre. NAO VEMOS O CONTEUDO. Mas a expressão de CINTIA é de "eu não acredito!"

CINTIA
Ai eu não acredito! Tão lindo!

PAULO
São pra ti. Quer mais?

CINTIA
Quero.(beat) Quero você.

PAULO
Então siga as pistas.

SEQ 7 CONJUNTO CENAS NA REDENCAO - EXT / DIA
Conjunto de cenas com CINTIA andando pela Redenção em seus pontos turísticos. Em cada ponto há um cartão postal dando novas pistas, mapas, etc. Costurando a ação (não mais de 30s) a voz de PAULO no celular. Como é 3-D, então vale a composição de quadros, diálogo entre figura e fundo, essas coisas.

PAULO
nota do roteirista: ainda não escrevi um texto meloso o suficiente! fica pro terceiro tratamento. só sei que termina junto do laguinho.

CENA 8 EXT - REDENÇÃO/PERTO DO LAGO - DIA
CINTIA está sentada próxima do lago dos pedalinhos, em algum ponto onde o desenho de luz colabore com nossas vidas e a atriz.

CINTIA(no celular)
Cheguei.

PAULO(no celular)
Eu vi.

CINTIA vê PAULO se aproximando.

CINTIA
Só que agora eu tenho uma supresa para ti.

PAULO
O que?

CINTIA
Vem me pegar!

CINTIA sai correndo. PAULO vai atrás. Passam créditos finais junto de cenas variadas rodadas "pra bonito" na Redenção.

>> depois de uma entrevista de Agamenon Mendes Pedreira no Jô Soares, manifestou-se um legítimo defensor da cultura regionalista com um email chamado...

To: jo@globo.com
Subj: O ÚLTIMO ENSAIO DE FREUD


Caro Jô

Depois do ataque de Agamenon à masculinidade do mito gaúcho, se faz necessário recuperar um trecho da história.

O que pouco se sabe, menos ainda se comenta, é que Sigmund Freud veio ao Rio Grande do Sul. Os gaudérios tentaram convencer o pai da psicanálise a trocar o charuto pelo chimarrão e o divã pelo pelego de ovelha. Sem sucesso.

Mas Freud gostou do churrasco. Após uma farta costela calibrada com pinga, o desbravador da mente humana escreveu as primeiras linhas do célebre ensaio

A INVEJA DA PILCHA

Do Rio ao Rio Grande
Muda mais que uma palavra
Ou te pilchas com orgulho
Ou viras transviada

O gaúcho tem o pampa
O carioca tem o mar
O pampa dá para tudo
No mar se molha e se afunda

Se teu traje típico é a sunga
Então te orgulhas da cueca
Respeita os que se vestem bem, vivente
E não abre a boca para falar meleca!

Infelizmente após esta quadrinha, Freud foi sestear.

Atenciosamente,

Gaudêncio Teixeira
Sociedade Psicanalítica de Bagé

23.5.02

Entrevista com o editor do Star Wars

Interessante entrevista!!!
e essa onda de mulheres presidenciáveis? depois de roseana, rita camata.

pra ver como são os preconceitos. não que os outros candidatos sejam hermafroditas, castrati ou robôs assexuados. mas o "standard" são candidatos homens. o que se torna um diferencial então? o gênero da candidata.

O que, convenhamos, não é garantia de nada. Apenas uma forma de atiçar as brasas no mito da "esperança inédita que vai salvar a pátria" a que já ouvimos várias vezes. E, na minha opinião, é uma evidência da imaturidade do jogo político.

22.5.02

[ [ [ [ PESADELO DA VELHINHA – Roberto Tietzmann ] ]
] ]

rtietz@terra.com.br

Quando você trabalha com qualquer coisa que use a expressão, aquilo que você faz só existe quando alguém vê. Pode ser pintura, escultura, discursos inflamados, cinema ou televisão. Se ninguém ver o processo não está
completo. É como preparar um bolo e ninguém comer. Qual é a graça?

Na televisão aberta as coisas ficam ligeiramente mais pesadas.Além de fazer a obra, é preciso que milhares, milhões, de pessoas queiram comer o bolo. De espectadores dispostos a isso depende a audiência e os
empregos de centenas de pessoas. Inclusive o seu, sr. artista. Não é moleza. No início de 2002, realizei os cinco primeiros episódios de "O Continente de São Pedro", uma série de TV sobre história do Rio Grande do Sul para a
RBS.

A audiência comeu o bolo. E pediu mais. Mas antes da estréia do primeiro episódio, um pesadelo me visitava dia a dia.Tinha passado o dia inteiro na TV editando. Ao chegar em casa, abria oe-mail, etc. e logo ia dormir. E, no pesadelo, estava de volta à ilha de edição.Carregava uma fita no VT. Consultava a decupagem. Punha no ponto. E
aparecia uma velhinha jogando damas.

Trocava de fita. Ela voltava. Mudava de ponto. De novo. Outra fita. E outra e outra. Só dava velhinha jogando damas nas fitas brutas. Vinte e cinco horas de velhinha jogando damas. Sozinha. Como seria possível fazer um programa interessante com isso?

E o pesadelo evoluía. Alguns dias depois comecei a sonhar (ou melhor, a pesadelar) que via as chamadas para o episódio de estréia. E, sim, ela estava lá. Com seu tabuleiro e peças vermelhas e pretas. O narrador anunciava "Sábado, meio dia e vinte!" e aparecia a velhinha. O narrador continuava "Uma partida de damas com uma velha solitária!". Eu suava frio.

Felizmente ao voltar para a ilha real de manhã, a velha do jogo não estava lá. Havia sim um bocado de dinossauros, jesuítas, guaranis, ruínas, boleadeiras e mais uma salada mista de coisas. Mas nunca se sabe. Ela podia estar na fita seguinte...

.......................................................

>>> ROBERTO TIETZMANN, 29 anos, acha que esse negócio de citar a idade logo logo vai se tornar um mau negócio.
Como volta e meia me perguntam isso, posto no blog já com a resposta!


> Olá Roberto.
> Estou pretendendo comprar uma câmera de Vídeo Digital. Estou indeciso entre a
> DCR-TRV 130 ou DCR TRV 330. Possuo um computador comum, e o Adobe Premier.
> Gostaria de saber qual a melhor para fazer a edição de vídeo de maneira mais
> simplificada no PC? Preciso adquirir uma placa de captura de vídeo para o PC?
> Que acessórios necessitaria para começar a fazer e editar meus vídeos?
> Obrigado pela atenção.


ola.

entre a 130 e a 330 creio que há pouca diferença. talvez um visor maior e integração com o memory stick. em resolução, etc. dá no mesmo. então escolha a que está mais na medida do orçamento. uso uma 110 desde 1999 e nunca me deixou na mão. e olha que dou pau na camerazinha!

para editar, o mais barato acaba sendo uma placa tipo a studio dc 10 da pinnacle. mas ela nao aproveita toda a resolucao da camera digital, ficando apenas em resolucao proxima ao super vhs.

para usar uma camera digital direito o negocio é comprar uma placa que tenha entrada digital, conhecida por firewire, ilink ou ieee 1394. a pinnacle tambem faz dessas, mas nao me lembro o nome agora. ela vai permitir voce capturar a imagem da camera na melhor resolucao possivel.

sim, voce precisa de uma placa. se tivesse um mac, ele ja vem com firewire e software. mas essas placas basicas para pc (a partir de uns 400 reais, ate 1000) devem dar conta do recado tambem.

boas edicoes.

roberto

20.5.02


Meus Problemas com os Átomos
por Roberto Tietzmann

Sou feito de átomos. Você também. O computador onde você lê, e eu escrevi, idem. Mas a mensagem que contém este texto não. Ela consiste em pulsos de eletricidade. Que podem estar em um minuto aqui, dali a momentos no outro lado do mundo e inclusive vazar para o espaço e chegar ao sol em oito minutos. A movimentação é ágil e quase instantânea. Ao contrário daquilo que acontece com átomos.

Por exemplo... Estou cursando o mestrado em uma universidade. Outro dia, precisava ler um texto. De um livro fora de catálogo. O texto estava no xerox. Em um xerox no campus. Eu não moro no campus. Nem perto.

Como esqueci de xerocar na saída das aulas, claro que tive de ir até lá em outro momento. Mas estava sem grana no bolso. Catei moedas pela casa e juntei uma passagem. Gastei o que tinha no onibus. Pensei: pronto, saco no caixa eletrônico no campus e voilà! Texto pago, grana no bolso e um café de quebra.

Cheguei. Mandei fazer a copia. Grandota, dezenas de páginas. Fui ao caixa. A máquina estava estragada. Malditos átomos!!! E os átomos de meu dinheiro já tinham ido embora, não estava nem em casa para catar mais moedas.

Como não foi possível estabelecer o tráfego da informação que me daria o dinheiro na hora necessária, então caí na mão dos átomos. E aí, meu chapa, tudo é complicado.

Sem grana, tive de catar um amigo e fazer um fiado de uma passagem de ônibus. Esperar na parada. Ir até um shopping, onde havia um caixa eletrônico. Funcionando, bem entendido. Esperar outro ônibus. Entrar. Pagar. Voltar. Pegar o texto. Pagar o texto.

Por fim levar meus átomos, mais os do texto, e menos os do dinheiro de volta para casa para ler o material. Bolas. Ou melhor, átomos! Tudo poderia ser bem mais fácil do que isso.

Afinal das contas, quanto trabalho só para conseguir um punhado de informação! Se isso estivesse disponível online, poderia ser baixado com um clique, inclusive remunerando o autor por algum tipo de micropagamento. E o texto estaria disponível a todos os lugares, a todo o momento.

Isto é, se os computadores -feitos de átomos, afinal de contas- não trancarem neste momento.



Roberto Tietzmann é feito de átomos e made in brazil.

19.5.02

Não Demorou Muito
por Roberto Tietzmann

A cultura pop é infinitamente elástica. Em outra crônica no argumento, escrevi sobre como as histórias em quadrinhos do Aranha haviam absorvido o atentado de 11 de setembro. Basicamente com pesar, mensagens de união, etc.

Mas será que isso ia parar por aí?

Novelas têm uma fórmula. Histórias em quadrinhos de super heróis também. Por mais que você estique os limites, tramas de identidade escondida e romance são pedras fundamentais das novelas. Supervilões, resoluções pelo conflito físico direto movem as tramas de super heróis.

Ou seja, não ia demorar muito até algum herói americano ir quebrar o pau com algum bandido parecido com os Al Qaedas. A nova revista do Capitão América (lançada em abril, disponível online em maio) começa exatamente assim.

Um avião é seqüestrado com estiletes, terroristas comemoram em uma caverna, Steve Rogers (a identidade civil do Capitão) está tentando salvar sem sucesso pessoas nos escombros do ground zero. Então é chamado para uma missão.

O que é interessante é que então voltamos à estrutura tradicional de quadrinhos. Um supervilão chamado Al-Tariq (não se esqueçam que o ministro das relações exteriores do Iraque se chama Tariq Aziz) está bombardeando cidades indefesas do interior dos EUA com bombas robôs. Matando criancinhas que davam volta de bicicleta. Amigos bebendo no bar. E está, aparentemente, esperando para que o bom e velho Capitão vá lá lhe dar um pau.

Cada história pede que você aceite algumas coisas para que ela funcione. Se for um filme de romance, você precisa acreditar na química entre os personagens. Se for de suspense, que o assassino pode caminhar pelo mato com uma motosserra ligada e alcançar a mocinha que corre a plenos pulmões dois passos depois. Ou nas HQs que um cara de malhas colantes tem realmente superpoderes e pode fazer todas aquelas coisas. Se você não acreditar, ou duvidar, o envolvimento da história está rompido.

Por mais que a Marvel Comics se alimente de pistas da realidade tecidas dentro de suas histórias, esse é um trajeto em geral de uma mão só. Ou seja, a realidade pauta as revistas em quadrinhos. Mas estas não pautam a realidade. Logo, o Capitão América não poderia pegar um avião e encontrar o Osama Bin Laden "que existe" numa caverna e matá-lo. Porque então esse diálogo de realidade e ficção nos quadrinhos estaria se invertendo. As HQs estariam se adiantando ao mundo real.

Todavia, ao criar um novo ataque e um novo inimigo (à imagem e semelhança do "real" mas existente apenas na ficção) está aberta a licença para que as reações sejam as que melhor servem à história. O que está vinculado diretamente à formula e à ideologia de quem a produz. E então a história dá o seu maior pulo do gato em termos de estrutura narrativa.

Que é o de abstrair que esses conflitos entre ideologias, visões de mundo e nações são coisas feitas em sociedade, por um monte de gente. E tudo pode ser resumido e resolvido por dois caras fantasiados brigando. E que a resolução deste conflito vai resolver todos os demais.

Como em todas as narrativas, não há regras absolutas. Ou seja, há quadrinhos que questionam estas estruturas, mesmo na Marvel. Mas a obra de arte também é uma filha de seu tempo (Kandinsky) e nossos tempos parecem nublados, para ser otimista.

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Roberto Tietzmann, 29, reclama, reclama, mas não deixa de comprar quadrinhos.
Clique aqui se você não entendeu nada de Mulholland Drive!
O filme novo do David Lynch retoma a maluqice em alto estilo, com uma narrativa ao mesmo tempo densa, mas com toques de humor e a sensação esquisita de que há um caminho para entender tudo aquilo. Sério!

Bom, um crítico na Salon.com se deu ao trabalho de decodificar o filme. Se você viu e pouco entendeu, confira!